Gustavo Maia Gomes

“Fr. José de
Santa Tereza Ribeiro, da Ordem de Nossa Senhora do Monte do Carmo, da antiga
observância, etc, certifico e juro, in verbis sacerdotis e aos Santos
Evangelhos que, sendo eu missionário em a antiga aldeia de Parauari, (...)
chegou à dita aldeia, em o ano de 1751 ou 52, um homem chamado Manoel da Silva,
natural de Pernambuco ou da Bahia, vindo do rio Jupurá com alguns índios
resgatados, entre os quais trazia um índio bruto, infiel, de idade de trinta
anos, pouco mais ou menos, do qual me certificou, o nomeado Manoel da Silva,
que tinha rabo.”
Continua o
relato juramentado do frade:
“E, por eu não
dar crédito a tão extraordinária novidade, mandou chamar o índio e o fez
despir, com o pretexto de tirar algumas tartarugas de um curral onde eu as
tinha, para, por este modo, poder eu examinar a sua verdade. E, com efeito, vi,
sem poder padecer engano algum, que o sobredito índio tinha um rabo da grossura
de um dedo polegar e do comprimento de meio palmo, coberto de couro liso, sem
cabelos. E me afirmou o mesmo Manoel da Silva que o índio lhe dissera que todos
os meses cortava o rabo para não ser muito comprido, pois crescia bastantemente.”
(in “Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro”, Rio de Janeiro, 150
(364), jul/set 1989, pág. 500, disponível na Internet.)
O redator do “Roteiro”
– cujo nome não consta do documento – agrega outras informações e conclui: “eu
sempre me inclino [a pensar] que é verdadeira a notícia das caudas”. É claro,
entretanto, que essa história – assim como a da tribo das guerreiras Amazonas
ou a da cidade pré-cabralina perdida no sertão do Mato Grosso – jamais foi
confirmada.
(Publicado no Facebook, 11 dez 2014)