Gustavo Maia Gomes
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São Luiz do Paraitinga, SP. (Foto Gustavo Maia Gomes, fevereiro de 2015) |
No último dia de 2009, choveu 200 mm na cidade histórica de São Luiz do Paraitinga (SP), mais do que o esperado para todo dezembro. Ruas inteiras tiveram as casas destruídas ou ameaçadas de desabamento; a igreja matriz foi desfeita em lama e posta no chão. Jamais tinha havido desastre tão grande naquele lugar, desde sua criação, em 1769.
A cidade nasceu como parada de tropeiros e suas mulas -- as frotas de caminhão da época --, que desciam a Serra do Mar desde Taubaté (SP, 47 km distante) até Paraty (RJ, 125 km, pelas rodovias atuais). A prosperidade do Vale do Paraíba, movida a café, criava riquezas também nos lugares por onde passavam as mulas.
Ivan Pedrosa Maia Gomes e eu visitamos São Luiz do Paraitinga em fevereiro. O lugar foi (quase) totalmente reconstruído -- ouvi um morador dizer que "está melhor do que antes da enchente" -- e é muito acolhedor, com sua arquitetura simples, mas homogênea e representativa de um período histórico em que a cidade e sua gente eram, relativamente, ricas.
Devido à concorrência das ferrovias, São Luiz perdeu sua função comercial, a partir de 1870, mais ou menos. E, da mesma forma como ocorreu em Paraty (RJ) e em Ouro Preto (MG) -- mas não em Sorocaba (SP) --, cidades que também visitamos, a longa estagnação subsequente ao período de prosperidade teve, pelo menos, um efeito benéfico: ajudou a preservar o patrimônio arquitetônico.
Somente em anos muito recentes, São Luiz do Paraitinga voltou a ter importância econômica, desta vez, como destino turístico. Está repleta de pousadas e, conforme nos foi dito, se enche de paulistanos durante os fins de semana. Vale a pena conferir.
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