segunda-feira, 30 de abril de 2012

Toritama, Olinda, economia e política


Gustavo Maia Gomes

(Versão levemente modificada, em 2/5/12, do artigo publicado em 30/4/12)


Há duas razões para Toritama e Olinda estarem juntas neste artigo: minhas recentes visitas a cada uma e o profundo contraste urbanístico que constatei existir entre elas. No caso de Olinda, ressalto, as considerações seguintes não se estendem para além do sítio histórico.
TORITAMA
Estive em Toritama, “a Capital Brasileira do Jeans”, no Agreste pernambucano, por razões profissionais. Tenho boas notícias a dar. Ali, não existe desemprego: as costureiras ganham dois ou mais salários mínimos; as estilistas e os mecânicos faturam acima de R$ 15 mil por mês; os empresários investem em máquinas eletrônicas.
De modo geral, a produção vai bem. Existem, claro, problemas, ameaças, dificuldades, mas nada fora do normal. Os empresários reclamam, sobretudo, da escassez de mão de obra, qualificada e não-qualificada. Tipo da reclamação de quem está de barriga cheia. E ótima notícia para os trabalhadores.
Rodovia e produto. Todos estão satisfeitos com a duplicação da rodovia BR 104, que corta a cidade. A menos que um imprevisto ocorra, em breve, será possível ir e voltar ao Recife em metade do tempo hoje gasto.
Dentre os municípios com alguma importância no Estado, somente Ipojuca (leia-se, Suape) cresceu mais do que a capital do jeans, entre 2000 e 2009. Toritama teve desempenho ainda melhor que Caruaru e Santa Cruz do Capibaribe, as duas outras principais cidades do polo de confecções.
O crescimento econômico ajuda a todos, inclusive, à Prefeitura, que passa a poder contar com mais dinheiro. Se, efetivamente, a arrecadação aumenta, é outra história: isso depende da competência e seriedade do prefeito. E mais dinheiro no orçamento deveria significar ruas pavimentadas; coleta de lixo regular; segurança para todos (em ação conjunta com o Estado, sim, quem impede?).
Lixo e lixão. A realidade, infelizmente, é outra. Quem passa por Toritama, vindo de Caruaru e em viagem para Santa Cruz do Capibaribe, encontra lixo na entrada e lixão na saída. Se percorrer a cidade, não irá ver nada muito melhor: sujeira generalizada, ruas sem pavimento, abandono total.
Sobre a segurança, uma pesquisa de imagens relacionadas ao nome da cidade rendeu, nas dez primeiras posições, oito ocorrências criminosas: seis diferentes pessoas assassinadas, uma quadrilha de bandidos presa e revólveres apreendidos com delinqüentes.
Gustavo Maia Gomes 18/04/2012
Toritama: na chegada, lixo
Gustavo Maia Gomes 18/04/2012